A repercussão recente de casos suspeitos de hantavírus em viajantes na América do Sul reacendeu um alerta nas redes sociais e trouxe de volta comparações com a Covid-19. Apesar de as duas doenças poderem começar com sintomas parecidos, especialistas destacam que elas têm formas de transmissão, evolução e riscos muito diferentes.
Segundo o Ministério da Saúde, entender essas diferenças é importante para evitar alarmes desnecessários e reforçar os cuidados corretos de prevenção.
A Covid-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, se espalhou rapidamente pelo mundo por conta da transmissão entre pessoas. O vírus passa principalmente por gotículas respiratórias, aerossóis e contato próximo, o que explica o impacto global da pandemia iniciada em 2019. Hoje, a maioria dos casos tende a evoluir de forma leve ou moderada, especialmente entre pessoas vacinadas.
Já o hantavírus preocupa por outro motivo. A doença é considerada uma zoonose, ou seja, é transmitida de animais para humanos. De acordo com a infectologista Sheila Paiva, do Hospital Mater Dei Goiânia, a infecção ocorre principalmente pelo contato indireto com secreções de roedores silvestres contaminados.
“O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas virais presentes na urina, nas fezes e na saliva de roedores silvestres contaminados. Diferentemente da Covid-19, o hantavírus não costuma apresentar transmissão sustentada entre humanos nas Américas”, explica a médica.
O infectologista Fellipe Godoy, da Santa Casa de Bragança Paulista, reforça que o risco de contágio depende de exposição ambiental específica.
“O hantavírus é transmitido a partir da inalação ou contato com secreções de ratos. O paciente precisa ter uma exposição à urina de ratos seca, que pode liberar partículas no ar e levar à infecção”, afirma.
Ele também descarta comparações com a pandemia de coronavírus. “A hantavirose no Brasil não tem transmissão entre humanos, então não há por que fazer um alarde comparativo com a Covid-19”.
Nos primeiros dias, as duas doenças podem causar febre, dor no corpo, dor de cabeça, fadiga e mal-estar. Esses sintomas inespecíficos podem dificultar a identificação imediata da infecção.
Apesar disso, a evolução clínica costuma ser diferente. Na Covid-19, os sintomas mais comuns incluem tosse, dor de garganta, coriza e perda de olfato ou paladar. Já o hantavírus pode evoluir rapidamente para quadros graves, com falta de ar intensa, insuficiência respiratória, queda da pressão arterial e choque circulatório.
Embora rara, a hantavirose é considerada mais letal do que a Covid-19.
O diagnóstico das duas doenças é feito por exames laboratoriais específicos. Na Covid-19, são utilizados testes de RT-PCR e antígeno. Já no hantavírus, a confirmação ocorre por sorologia ou PCR, além da análise do histórico de exposição a ambientes com presença de roedores.
As formas de prevenção também são distintas. Para evitar a Covid-19, as recomendações incluem vacinação, higiene frequente das mãos, ventilação adequada e cuidados respiratórios. No caso do hantavírus, o foco está na limpeza correta de ambientes fechados, no controle de roedores e na redução do contato com locais contaminados.
*Com informações de Metrópoles
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Fonte: https://scc10.com.br/cotidiano/saude/hantavirus-sintomas-parecidos-com-covid-podem-confundir-diagnostico/


